quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Entrevista Los Hermanos

O caminho que a gente fez durante esses dez anos é o que me faz ser o baterista que sou hoje
Entrevista exclusiva com Rodrigo Barba, baterista da banda carioca Los Hermanos, que fará uma mini-turnê no Nordeste essa semana
Por Lorena Morais

Barba conheceu a banda no ambiente universitário, onde recebeu o apelido.
Foto: Caroline Bittencourt

Cinco amigos, disposição, instrumentos e muita música formaram, em 1997, uma banda independente de rock alternativo no Rio de Janeiro. Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba fazem parte da atual formação da banda Los Hermanos, que depois de dez anos de estrada resolveram fazer um recesso, deixando os fãs decepcionados.
Depois de tanta espera, os rumores sobre a realização de shows da banda esse ano finalmente se concretizou. Durante o mês de outubro está sendo realizada uma miniturnê nas cidades de São Paulo, Recife, Fortaleza e Salvador. Porém, os shows não significam retorno, mas apenas o aceite de convites antigos.
Rodrigo Barba, baterista da banda, concedeu uma entrevista por telefone ao Reverso. Carismático - como descreveu Medina - e bastante risonho, Barba falou sobre a carreira dos LH, o que tem feito após o “término” da banda e sobre o reencontro na miniturnê 2010.

 Lorena: A emoção para a realização dessa miniturnê pode se aproximar àquela sentida no primeiro show da banda, no Festival Abril Pro Rock, em Recife, já que estão (re)estreiando?
Rodrigo Barba:
É diferente. Aquele show do Abril Pro Rock foi nosso primeiro show fora do Rio, na época a gente queria muito fazer, por vários motivos: o pessoal da banda já tinha ido ver show lá, um lugar que queríamos tocar... Não era que nem hoje em dia, que tem um monte de festival em um monte de lugar. Era uma coisa mais difícil pra banda independente chegar ao festival e fazer um show. É uma emoção diferente da que está acontecendo hoje, que é de reunião, de reencontro. Estou bastante ansioso pra fazer esses shows, tocar pra galera.

Lorena: O que a banda tem preparado de novo para a miniturnê do Nordeste?
Rodrigo Barba:
Nada! (risos) A gente não tava com tempo de fazer ensaio pra produzir uma coisa nova. Esses shows partiram de um convite que não foi da gente, mas topamos. Não vai dar tempo de a gente ensaiar e produzir uma coisa nova. O Marcelo está mixando o disco novo dele, eu tô gravando disco com a banda Canastra, o Rodrigo (Amarante) está lá nos Estados Unidos... A gente montou esquema pra juntar uns 15 ou 20 dias, só pra esse momento, então fica difícil pra gente produzir uma coisa nova - pelo menos pra esse momento agora.


A atual formação é composta por Marcelo Camelo, Amarante, Barba e Medina
Lorena: Nos ensaios atuais ainda existe aquela mesma interação que existia na gravação dos
discos dos LH ou têm sido uma produção inteiramente profissional?
Rodrigo Barba:
Não vai ter tempo de ir pra um lugar especial, como fazíamos. A gente separou um estúdio aqui no Rio, pra ficar o dia junto, ensaiando. Mas a descontração vai estar sempre presente, afinal, somos amigos desde o colégio, então não tem como ser muito profissional com amigos de colégio.

Lorena: Os shows realizados em Salvador sempre renderam casa cheia e emoção do público. Só aqui vocês farão dois shows em dias consecutivos, nos dias 17 e 18 de outubro. É verdade que existe um carinho especial pelo público da Bahia?
Rodrigo Barba:
(risos) A gente tem um carinho especial com todo mundo que gosta da gente. Agora, aquele lugar é especial, sim (Concha Acústica do TCA). Tocar ali, o público que comparece aos shows... É sempre um show ímpar. Da turnê toda, sempre tem um show na Concha que é demais, que sempre vai ser. Acho que essa chance de poder fazer dois shows vai ser mais incrível ainda. E isso é graças a galera que tem um carinho com a gente, que comprou os convites em poucas horas e acabou lotando o lugar tão rápido que a gente topou fazer no outro dia.

Lorena: E qual a reação de vocês ao saber que esgotaram esses ingressos tão rapidamente na cidade que muitos denominam como “terra do axé”?
Rodrigo Barba:
(risos) É uma loucura, não é? Eu não esperava. Topamos fazer esse show, mas eu achei: "Vai ter uma galera que vai querer ver, uma galera que viu já e que tá a fim de ver de novo". Mas parece que tem muita gente que não viu e está a fim de ver. Foi uma surpresa muito grande ter acabado tão rápido. Uma coisa que pelo menos eu sentia nos Los Hermanos é que quem fazia o nosso público era o nosso público. Quem gostava da gente fazia uma propaganda incrível! E isso é o que tornou possível fazermos tudo desde o começo. Era nosso público fazendo essa propaganda: "Vai lá no show que é maneiro, eu gostei". E acho que isso continua. Mesmo a gente sem fazer show o pessoal que curte, fala: "Poxa, tinha que ter visto os Los Hermanos, o show era maneiro". (risos) A galera continua fazendo isso!


Lorena: Você afirmou em uma entrevista que a banda Canastra é mais aberta no lado instrumental, por isso é diferente do que produzia nos LH, que tem arranjos mais fechados. Está sendo difícil retomar as batidas da banda depois desse recesso?
Rodrigo Barba:
É diferente, dá pra separar bastante o que acontece no Canastra e o que acontecia/acontece nos Los Hermanos. Até porque no Canastra comecei a trabalhar a um ano arranjo de música para o disco que estamos gravando - o que eu tocava anteriormente era o arranjo do Marcelinho, ex-barterista da banda. Então é muito diferente o que eu toco no Canastra do que eu vou tocar com a galera dos Los Hermanos, que são coisas que eu pensei e produzi com eles. Então é uma coisa mais natural, o que debati com o resto da galera, chegando a uma conclusão que era legal ser daquele jeito. É até mais fácil para eu poder mudar, fazer uma coisa diferente agora (com os ensaios) que eu sei de onde veio, como veio e a forma que chegou até ali.

Registro dos últimos ensaios antes da mini-turnê 2010.
Foto: Caroline Bittencourt
Lorena: Na mesma entrevista você disse não ser um bom baterista de samba. Depois de tantos anos de estrada com os Los Hermanos, o estilo alternativo não terminou por construir um novo Rodrigo Barba na bateria?
Rodrigo Barba:
Eu acho que sim. O caminho que a gente fez durante esses 10 anos é o que me faz ser o baterista que sou hoje. Foram diálogos com esses caras, foi a mudança de estilo dentro das músicas, essa busca de fazer um negócio um pouco diferente do que já tinha sido feito.

Lorena: E a afirmação continua?
Rodrigo Barba:
Não, não sou não (um bom baterista de samba)! Sou mais pro rock. O samba é uma coisa que tem que estar dentro de você. Eu faço a batida, mas não tenho o espírito.

Lorena: O que torna os LH diferente de tudo o que já vimos no rock nacional?
Rodrigo Barba:
Não sei se é bem assim, mas a reunião de nós quatro fez com que as coisas tomassem esse caminho. Eu acho que ninguém quis segurar ninguém, todo mundo topava qualquer coisa nova na produção dos discos. A união do grupo ajudou muito, cada hora um ia pra um caminho diferente. Não era muito pensado, era tudo bem natural. Cada banda tem sua identidade única, que é a união dos componentes.

Lorena: Qual a diferença do Rodrigo Barba de Los Hermanos para o Rodrigo Barba da banda Canastra?
Rodrigo Barba:
Estou sendo a mesma coisa tanto dentro de uma (banda) como da outra, pois agora com o disco do Canastra estou fazendo mais parte da banda.

Lorena: Quais seus planos depois da miniturnê dos Los Hermanos?
Rodrigo Barba:
A ideia é gravar o disco com o Canastra, para lançar no próximo ano. E continuar tocando... Além do Canastra, estou tocando numa banda chamada "Acabou la Tequila", tô tocando numa banda chamada "Gooeast"; que são mais locais.

Lorena: Qual recado deixa para os fãs da Bahia?
Rodrigo Barba:
Espero que os fãs da Bahia curtam bastante o show, porque eu vou curtir muito tocar na Concha.

Um comentário:

Zuza Zapata disse...

Oi,
Achei o blog enquanto procurava sobre Los Hermanos.
Bem legal a postagem!
Abraços,
Zuza Zapata
www.zuzazapata.com.br

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